Michelle Obama and the Moment of Blackness/Michelle Obama e o momento de negritude

During the past two months, my co-workers and I have made numerous phone calls in support of presidential candidate Barack Obama. It has been incredible to hear the excuses that people use to rationalize why they don’t support the senator from Illinois. “He is a Muslim”. “He is a terrorist”. “I don’t trust him.” “He is not an American.” It has already been established that more than 90% of black Americans support Obama, so obviously I am talking about a certain population of white voters who don’t want to admit that they won’t vote for a black man. I thought I had heard every excuse that could be used until yesterday. A man told a co-worker that he wouldn’t vote for Obama after he read what Michelle Obama wrote in her thesis when she was a student at Princeton University. Curious, I searched the internet to know what the guy was talking about.

In the thesis of Michelle Obama (Robinson at the time), she wrote about her experience at Princeton University as a blacks student. According to Michelle:

“My experiences at Princeton have made me far more aware of my ‘blackness’ than ever before. I have found that at Princeton, no matter how liberal and open-minded some of my white professors and classmates try to be toward me, I sometimes feel like a visitor on campus; as if I really don’t belong. Regardless of the circumstances under which I interact with whites at Princeton, it often seems as if, to them, I will always be black first and a student second.”

The thesis was removed from the Princeton library until after November 5, 2008, possibly because of the election (November 4). During this campaign, Barack Obama has walked a very thin path between being perceived as “too black” by whites and “not black enough” by blacks. Michelle Obama has been consistently portrayed as the stereotypical “angry, black woman” although she has never actually behaved publicly in a way that could be considered “angry”. The same day that someone mentioned her thesis, another voter told me that she thought that Michelle Obama didn’t like white people. I asked the woman if she could remember a moment that Michelle said something negative about white people. The woman said no.

The thesis written by Michelle Obama reminded me of a book written by Ângela Figueiredo about the experiences of the black Brazilian middle class. According to Figueiredo, experiencing the exclusive, white social world of the college environment, Afro-Brazilians were more likely to develop a political black identity than before they attended college. Many Afro-Brazilians don’t see themselves as blacks until they experience all-white, exclusive environments in which their difference from the majority of the student body cannot be ignored. Professor José Jorge de Carvalho of the University of Brasília has written about Afro-Brazilian students being ignored, harrassed and excluded by other students, teachers and security guards at the University of Brasília. Sometimes Afro-Brazilian students are thought to be African exchange students because white students assume that a black student must be a foreignor.

With the controversy surrounding the implementation of affirmative action policies to increase the presence of Afro-Brazilian students in Brazilian universities, many of these students express the same sentiments of Michelle Obama. The university environment in Brazil has been described as a “whites only” affair and this is often true at the best American universities. It is a shame that the thesis of Mrs. Obama was removed from the library of Princeton because of the possibility that some white voters might be offended or even outraged by her words. I say it is a shame because it is the “different” student that experiences the feeling of invisibility and exclusion and it is the dominant society that interprets this acknowledgement of a silent form of apartheid as a sign of militancy that must be repressed. In other words, the society continues to discriminate against and exclude the victim and then blame the victim when he or she complains about the exclusionary treatment. A nation cannot truly be free until it is ready to hear, accept and acknowledge the opinions, experiences and thoughts of all of its citizens, not just the priviledged few. Especially in places where freedom of thought is supposed to be encouraged.

Durante os últimos dois meses, os meus colegas de trabalho e eu temos feito inúmeros telefonemas de apoio ao candidato presidencial Barack Obama. Foi incrível ouvir o que desculpas as pessoas usam para racionalizar por que eles não suportam o senador de Illinois. “Ele é um muçulmano.” “Ele é um terrorista”. “Eu não confio nele”. “Ele não é um americano”. Já foi estabelecido que mais de 90% dos negros americanos apoiar Obama, por causa disso, é óbvio que estou falando de uma população determinada dos eleitores brancos que não querem admitir que eles não vão votar em favor de um homem negro. Eu pensei que tinha ouvido todas as desculpas que pude ser utilizados até ontem. Um homem disse a um co-trabalhador que ele não iria votar em favor de Obama após ter lido o que Michelle Obama escreveu em sua tese quando ela era uma estudante na Universidade Princeton. Curioso, eu buscei na internet para saber o que o cara estava falando.

Na tese de Michelle Obama (Robinson, na altura), ela escreveu sobre sua experiência na Universidade Princeton como uma estudante negra. Segundo Michelle:

“Minhas experiências em Princeton fizeram-me muito mais consciente da minha “negritude” do que nunca. Eu descobri que em Princeton, não importa o quanto liberal e de mente aberta alguns dos meus professores e colegas brancas tentaram ser em direção a mim, eu às vezes sinto como um visitante do campus, como se eu realmente não pertenço. Independentemente das circunstâncias em que eu interagirei com os brancos em Princeton, muitas vezes parece que, para eles, vou ser um estudante negro primeiro e estudante segundo.”

A tese foi removido da biblioteca de Princeton até após 5 de novembro de 2008, possivelmente por causa da eleição (4 de novembro). Durante esta campanha, Barack Obama tem andou um caminho muito fina entre ser percebido como “negro demais” pelos brancos e “não suficientemente negro” por negros. Michelle Obama tem sido consistentemente retratado como o estereotipada “mulher negra com raiva”, embora ela nunca tenha realmente publicamente comportado de uma maneira que possa ser considerada “com raiva”. No mesmo dia que alguém mencionou a tese de Michelle Obama, uma outra eleitora me disse que Michelle Obama não gostou de pessoas brancas. Perguntei à mulher se ela podia lembrar um momento em que Michelle disse algo negativo sobre as pessoas brancas. A mulher disse que não.

O thesis escrito por Michelle Obama lembrou-me de um livro escrito por Ângela Figueiredo sobre as experiências da classe média negra brasileira. De acordo com Figueiredo, vivendo a exclusiva, mundo social branco da ambiente universidade, afro-brasileiros estavam mais propensos a desenvolver uma identidade política negra do que antes que eles entraram a universidade. Muitos afro-brasileiros não se vêem como negros até eles vivem ambientes exclusivos brancos, nas quais os seus diferenças entre a maioria do corpo estudantil não podem ser ignorado. O professor José Jorge de Carvalho da Universidade de Brasília tem escrito sobre alunos afro-brasileiros sendo ignoradas, perseguidos e excluídos por outros estudantes, professores e seguranças da Universidade de Brasília. Às vezes, os estudantes afro-brasileiras são confundidos com alunos africanos em intercâmbio pois os alunos brancos assumem que um estudante negra deve ser um estangeiro.

Com a polêmica sobre a implementação das políticas de ação afirmativa a aumentar a presença de estudantes afro-brasileiras nas universidades brasileiras, muitos destes estudantes expressar os mesmos sentimentos de Michelle Obama. O ambiente universitário no Brasil tem sido descrito como uma ambiente “só para brancos” e muitas vezes é verdade nas melhores universidades americanas. É uma pena que a tese da Sra. Obama foi retirado de uma biblioteca de Princeton, devido à possibilidade de que alguns eleitores brancos poderiam ser ofendido ou até mesmo indignada com suas palavras. Digo que é uma vergonha, porque é o estudante “diferente” que vive a sensação de invisibilidade e exclusão e é a sociedade dominante que interpreta este reconhecimento de uma forma silenciosa de apartheid, como um sinal de militancia que devem ser reprimidos. Em outras palavras, a sociedade continua a discriminar e excluir a vítima e então, culpar a vítima quando ele ou ela queixar-se sobre o tratamento excludente. Uma nação não pode ser verdadeiramente livre até que ela é pronto para ouvir, aceitar e reconhecer as opiniões, pensamentos e experiências de todos dos seus cidadãos, não apenas os poucos privilegiados. Especialmente em lugares onde a liberdade de pensamento é supostamente incentivada.

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