Who is black?/ Quem é negro?

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Photo: Retratos de negros (Portraits of Blacks), 1864-1883. Augusto de Azevedo (Militão). Fotografia (albúmen). Museu Paulista da USP. São Paulo, SP

Who is black?

In America, black people are considered those citizens who are descendants of sub-Saharan Africans. According to the infamous “one-drop rule”, any person of any known African ancestry is considered black even if they have blond hair and blue eyes. In the first few decades of the 20th century, there actually was a mulatto category that described people of mixed African ancestry, with terms like quadroon and octoroon describing persons of one-fourth or one-eighth African ancestry.
Eventually, the one-drop rule was adopted throughout the country in varying degrees. In some states, one was considered black if one of sixteen of their ancestors was black, in other states it was one in thirty-two and in still others, one was black if one of sixty-four ancestors was black. On the other hand, in Brazil, it is believed, only the darkest-skinned people of African descent are considered black. Officially, on the Brazilian census, there has always been a place for persons of mixed race while in the US the category was only re-introduced on the 2000 census.
But even though six times more Brazilians identify themselves as brown rather than black, does this necessarily mean that the Brazilian racial system is really different than that of the US? Over the course of time, I will address this issue more in-depth, present evidence and come to a reasonable conclusion. At this time I would like to share what Brazil’s social scientists have to say about who is black in that nation.
I include these declarations for three specific groups:

1. Brazilians who never considered themselves to be black but always wondered why the overwhelming majority of poor Brazilians are not white.

2. Brazilians who insist that labeling Brazilians as black or white or white and non-white is not consistent with Brazilian reality.
3. Americans and other non-Brazilians who think that there are more than 100 races in the country and also believe in the myth that the country is a Racial Democracy.
“…the term negro is as much a conventional category as branco. Grouping together all the gradations, going from pardo to preto, including the color of copper. In the same way, the white category also covers different colors, even those whites that are not truly white. Besides this, one can observe that the multiplication of categories related to skin color, shape of the face and texture of the hair is a common phenomenon in multi-racial societies. Translating the desire of people to group the others into determined racial or color groups is a banal exercise. But it can correspond sometimes to a desire of hierarchizing the others into a chromatic and racial scale.”
D’Adesky, Jacques. “Ação afirmativa e igualdade de oportunidades”. Revista de Ciência Política. Rio de Janeiro, 2006.
Black is any person of African origin or ancestry susceptible to being discriminated for not corresponding, partially of completely, to Western aesthetic standards and whose social projection of an inferior or depreciated image represents the denial of equalitarian recognition, a source of exclusion and of fundamental oppression in the double denial of group identity values and historic and cultural legacies.
D’Adesky, Jacques. RACISMO E ANTI-RACISMO NO BRASIL, Rio de Janeiro, Pallas: 2001.
“The social place attributed to the mulato, not his place as racial intermediary, is an “obstacle”e to the comprehension of racial difference as a form of submission or oppression. The phenotypic characteristics of the mulatto do not interfere with this understanding…The racial categories, while indicating the diversity of racial charateristics, are not instruments of analysis….within the limits of the class system, the variations of color are socially irrelevant in race relations. The racial origin, not the color, remains as the basis of classification.”
Bandeira , Maria de Lourdes. Território Negro em Espaço Branco: Estudo antropológico de Vila Bela. Editora Brasiliense, 1988.
…when we affirm that these black groups are specific, we don’t mean that they are composed only of “pure” negros, in physical anthropology terms, but, also of pardos, (mulatos, curibocas, caboclos) those which, in consequence of the group of social situations in which they overlap, are marked as negros by the white society and, at the same time, recognizes and accepts a connection, total or partial, with his African roots… “
Moura, Clóvis. Sociologia do Negro Brasileiro. Editora Atica, 1988
“The term “preto” (black) was always used by whites to designate the negro and the mulatto in Sao Paulo, but through a stereotyped and extremely negative image created in the past”.
Fernandes, Florestan. A Intergração do Negro na Sociedade de Classes. Dominus Editôra. Editôra da Universidade de São Paulo: 1965.
“The current sayings in the community affirm that all non-white individuals should be considered black. The consensus considers them as such. Are common popular sayings such as: ‘he who escapes from being white is black’, ‘a mulatto = a disguised negro’, ‘father of color, the child becomes’, etc.”
CARDOSO, Fernando Henrique; IANNI, Octavio. Cor e mobilidade social em Florianópolis: aspectos das relações entre negros e brancos numa comunidade do Brasil meridional. São Paulo: Nacional, 1960.
“..the mulato appears as a negro at the same time privileged and stigmatized by the double condition of race and parvenu…the rules of social exclusion define the position of the mulato in terms quite firmly in Rio Grande do Sul: “he who escapes being white, is black”. The mulato is a negro, thus, an inferior, but at the same time, he is a privileged negro”…
Cardoso, Fernando Henrique. Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional: O Negro na Sociedade Escravocrata do Rio Grande do Sul. Paz e Terra: 1977.
“By and large, the negro of Brazil is the mulatto. The negroide”
Freyre, Gilberto. Mansions and Shanties: The Making of Modern Brazil, trans. Harriet de Onis. New York: Alfred A. Knopf.
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Quem é negro?
Na América, negros são considerados aqueles cidadãos que são descendentes das africanas subsaarianas. Segundo o infame “regra de uma gota”, qualquer pessoa de qualquer ascendência africana é considerada negra mesmo que tenham cabelos louros e olhos azu. Nas primeiras décadas do século 20, na verdade existiu uma categoria “mulato” que descrevia pessoas de ascendência mista africana, com termos como “quadroon” e “octoroon” descrever pessoas de um quarto ou um oitavo ancestralidade africana.
Eventualmente, a “regra de uma gota” foi aplicada em todo o país, em diferentes graus. Em alguns estados, alguem era considerado negro se um de dezasseis dos seus ancestrais fosse negro, em outros estados, fosse uma em trinta e dois e, em outros ainda, uma pessoa fosse negro se um dos sessenta e quatro antepassados era negro. Por outro lado, no Brasil, acredita-se, apenas afrodescendentes da pele mais escura são considerados negros. Oficialmente, no censo brasileiro, sempre existiu um categoria para as pessoas de raça mista, enquanto nos EUA, a categoria só foi re-introduzido no censo de 2000.
Mas, mesmo que seis vezes mais brasileiros identificam-se como pardo em vez de preto, isso significa, necessariamente, que o sistema racial brasileiro é realmente diferente do que o dos Estados Unidos? Durante o decorrer do tempo, vou abordar esta questão mais em profundidade, apresentar prova e chegar a uma conclusão razoável. Neste momento, gostaria de partilhar as opiniões dos cientistas sociais do Brasil sobre quem é negro naquela nação.

Eu incluo essas declarações por tres grupos específicos:

1. Brasileiros que nunca consideram-se negros, mas sempre se perguntaram a razão pela qual a esmagadora maioria dos pobres brasileiros não são brancos.

2 Brasileiros que insistem que rotular os brasileiros como negros ou brancos ou brancos e não-brancos não é coerente com a realidade brasileira.
3. Os americanos e outros não-brasileiros que pensam que existem mais do que cem raças no país e também acreditam no mito que o país é uma democracia racial.

“…O termo negro é uma categoria convencional tanto quanto o branco. Agrupa todas as gradações, que vão do pardo até o preto, incluindo a cor de cobre. Da mesma forma, a categoria branco abrange também cores diferentes, já que os brancos não são verdadeiramente brancos. Além disso, observa-se que a multiplicação de categorias relacionadas com a cor da pele, formato de rosto e textura dos cabelos é um fenômeno comum em sociedades multirraciais. Traduz o anseio das pessoas em agrupar os outros em determinados grupos raciais ou de cor, o que é em um exercício banal. Mas pode corresponder às vezes a um desejo de hierarquizar os outros numa escala racial e cromática.”

D’Adesky, Jacques. “Ação afirmativa e igualdade de oportunidades”. Revista de Ciência Política. Rio de Janeiro, 2006.
“Negro é qualquer pessoa de origem ou ascendência africana suscetível de ser discriminada por não corresponder, parcial ou totalmente, aos padrões estéticos ocidentais e cuja projeção social de uma imagem inferior ou depreciada representa a negação do reconhecimento igualitário, fonte de uma exclusão e de uma opressão fundamentadas na dupla negação dos valores da identidade grupal e das heranças cultural e histórica”.
D’Adesky, Jacques. RACISMO E ANTI-RACISMO NO BRASIL, Rio de Janeiro, Pallas: 2001.
“O lugar social atribuído ao mulato não o seu lugar racial intermediário, é que é um “obstáculo” à compreensão de diferenciação racial como forma de submissão e opressão. As características fenotípicas do mulato não interferem nessa compreensão…. As categorias raciais, enquanto denotativas da diversidade de traços raciais, não são instrumentos de análise…nos limites do sistema de classe as variações de cor são socialmente irrelevantes nas relações raciais. A origem racial, não a cor, permanece como base da classificação.”
Bandeira , Maria de Lourdes. Território Negro em Espaço Branco: Estudo antropológico de Vila Bela. Editora Brasiliense, 1988.

“…quando afirmamos que esses grupos negros são específicos (religiosos ou com outros objetivos centrais), não queremos dizer – conforme já ficou claro – que são compostos somente de negros puros, na sua acepção de antropologia física, mas também, de pardos (mulatos, curibocas, caboclos), os quais, em consequência do conjunto de situações sociais em que estão imbricados, são marcados como negros pela sociedade branca, e, ao mesmo tempo, reconhecem e aceitam uma ligação total ou parcial com as suas matrizes africanas, ou assimilaram os seus valores culturais mais relevantes.”

Moura, Clóvis. Sociologia do Negro Brasileiro. Editora Atica, 1988
“O têrmo “prêto” sempre foi usado pelo “branco” para designar o negro e o mulato em São Paulo, mas através de uma imagem estereotipada e sumamente negativa, elaborada socialmente no passado.”
Fernandes, Florestan. A Intergração do Negro na Sociedade de Classes. Dominus Editôra. Editôra da Universidade de São Paulo: 1965.
“Os ditado correntes na comunidade afirmam que todos os indivíduos não branco devem ser considerados negros. O consenso considera-os assim. São comuns ditos populares tais como: “Escapou de branco, negro é”, “mulato: prêto disfarçado”, “Pai de côr, filha fica”, etc.”
CARDOSO, Fernando Henrique; IANNI, Octavio. Cor e mobilidade social em Florianópolis: aspectos das relações entre negros e brancos numa comunidade do Brasil meridional. São Paulo: Nacional, 1960.
“…o mulato apareceu como um negro ao mesmo tempo privilegiado e estigmatizado pela dupla condição de trânsfuga da raça e parvenu. Com efeito, toda a ambigüidade da situação de negro como se revelava no matiz mais claro de pele dos mestiços. Enquanto a ordem estamental vigeu plenamente, as regras de exclusão social definiam a posição do mulato em termos bastante taxativos no Rio Grande do Sul: “escapou do branco, é negro…O mulato é um negro, e portanto, um inferior, mas, ao mesmo tempo, é um negro privilegiado.”

Cardoso, Fernando Henrique. Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional: O Negro na Sociedade Escravocrata do Rio Grande do Sul. Paz e Terra: 1977.

“De modo geral, o negro do Brasil é o mulato. O negróide.”
Freyre, Gilberto. Casa Grande e Senzala. Rio de Janeiro. Livraria José Olympio, 1988.

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