Lynchings/Linchamentos

Lynchings/Linchamentos

Most of us are familiar with the Jena 6 case of 2007. As there has already been so much written on the subject, I will only briefly cite a summary. At a high school in the city of Jena, Louisiana, three nooses were found hanging from a tree after a black student had attempted to sit under it after it had been designated “for whites only”.
In a chain of events connected to the nooses, six black students were charged with the beating of a white student who had used racist slurs in defending the students who had hung the nooses. While the black students were charged with attempted second-degree murder, white students, including those who hung the nooses and another who had pointed a gun at three black students in a store, were either not charged or given a slap on the wrist. The escalating tension caused by what was seen as blatant racism led to a huge rally and protest in Jena attended by tens of thousands of people from around the country.
What I want to focus on here is the symbolism behind the nooses. The noose is symbolic of a time in American history when African-Americans were being lynched by white Americans, sometimes for false charges but often times for no other reason except racial prejudice. What many of us don’t know is that in the years that lynchings were most prevalent, 1882-1968, 27.3% of all lynching victims (1,297 of 4,743) in the US were white. I point this out because when the issue is racism, many Brazilians will deny evidence of racism because of the existence of poor whites living in Brazil’s slums. It is also important to stress that the lynching of whites happened here in the US, the society that many Brazilians point to when they think of the best example of a racist society. The point here is: white poverty or white victimization does not prove that racism does not exist.
Another little known fact is that lynching is not a rare occurrence in Brazil. In a report that compiled 751 reports of lynchings or attempted lynchings between the years 1990 and 2000, 714 people were lynched, 312 fatally. And of the data in which the race of the victim was recorded, 75.6% of the victims were black. As the race of the perpetrators may not have been documented in each crime, there is no need to conclude that all of these cases were racially motivated, but the possibilities cannot be ruled out. In spite of the inevitable comparison to the US, it should be noted that the term lynching, or linchamento, had already been in use in Brazil in the 19th century. Lynchings were racially motivated but were also aimed at white protectors of blacks although blacks were the preferred target of lynchings. In a strange twist to the study of lynchings in Brazil, one also finds cases in which blacks participated in the lynching of other blacks.
In many lynchings that occurred in the US, blacks were accused of raping or sexually assaulting white women. Interestingly enough, in her research of these lynchings, civil rights and women’s activist Ida B. Wells found that many of the victims were lynched for having consensual sexual relations with white women.
Similarly, Brazilian society severely punished sexual relations between slave men and white women. According to historian Warren Dean, writing on Brazilian plantations systems between the years 1820 and 1920, “violence against the freed (slaves) was a daily thing, and when suspected of raping a white woman, they were lynched”. Worse still, many slaves were castrated for simply attracting the desire of the slave master’s wife or daughter.
Lynching and castration because of sexual relations or suspected sexual relations with white women? This sounds vaguely familiar.

Muitos de nós estamos familiarizados com o caso dos 6 de Jena de 2007. Como tanto já foi escrito sobre o assunto, vou apenas brevemente resumir. Numa escola de ensino medio na cidade de Jena, estado da Louisiana, três forcas foram encontradas penduradas em uma árvore depois um estudante negro tentou sentar-se sob ela que foi marcada “só para brancos”.

Em uma cadeia de eventos ligados à forcas, seis estudantes negros foram acusados do espancamento de um estudante branco que tinha usado insultos racistas na defesa dos estudantes que tinha pendurado as forcas. Enquanto os estudantes negros foram acusados de tentativa de homicidio, os alunos brancos, incluindo aqueles que penduraram as forcas e outro que havia apontado uma arma a três estudantes negros em uma loja, não foram acusados ou foram reprimidos muito levemente. A crescente tensão causada por aquilo que foi visto como racismo flagrante levou a uma enorme passeata de protesto em Jena formada por dezenas de milhares de pessoas de todo o país.
O que eu quero focar aqui é o simbolismo por trás das forcas. A forca é simbólica de uma epoca da história americana em que afro-americanos eram linchados por americanos brancos, algumas vezes por falsas acusações, mas muitas vezes por nenhum outro motivo senão o preconceito racial. O que muitos de nós não sabemos é que nos anos em que linchamentos foram mais prevalentes, 1882-1968, 27,3% de todas as vítimas (1297 de 4743) de linchamentos eram brancos. Estou apontando isso porque quando a questão é racismo, muitos brasileiros irão negar evidências de racismo por causa da existência de brancos pobres que vivem nas favelas do Brasil. Também é importante salientar que o linchamento de brancos aconteceu aqui nos Estados Unidos, a sociedade que muitos brasileiros apontam quando pensam no melhor exemplo de uma sociedade racista. A questão aqui é: a pobreza de brancos ou a vitimização de brancos não prova que o racismo não existe.
Outro fato pouco conhecido é que linchamentos não são uma ocorrência rara no Brasil. Em um relatório que compilou 751 relatórios de linchamentos ou tentativa de linchamentos entre os anos 1990 e 2000, 714 pessoas foram linchadas, 312 fatalmente. E dos dados em que a raça da vítima foi registrada, 75,6% das vítimas eram negras. Uma vez que a raça dos autores dos crimes não foram documentada em cada um deles, não podemos concluir que todos estes casos foram por motivos racistas, mas a possibilidade não pode ser excluída. Apesar da inevitável comparação com os Estados Unidos, deve-se notar que o termo linchamento já era utilizado no Brasil no século XIX. Linchamentos foram motivados por racismo, mas também foram destinados a brancos protetores de negros, embora negros teham sido os alvos preferidos de linchamentos. Em uma torção estranha ao estudo de linchamentos no Brasil, encntra-se casos em que negros participaram no linchamento de outros negros.
Em muitos linchamentos que ocorreram nos os Estados Unidos, negros eram acusados de estrupar ou violentar mulheres brancas. Curiosamente, em sua investigação destes lichamentos, a ativista de direitos civis e das mulheres Ida B. Wells descobriu que muitas das vítimas foram linchadas por terem relações sexuais consensuais com mulheres brancas.
Do mesmo modo, a sociedade brasileira severamente punia as relações sexuais entre homens escravos e mulheres brancas. De acordo com o historiador Warren Dean, que escreveu sobre o sistema de plantações brasileiro entre os anos 1820 e 1920, “a violência contra (escravos) libertos, era uma coisa diaria e, quando suspeito de violentar uma mulher branca, eles eram linchados”. Pior ainda, muitos escravos eram castrados por simplesmente atrair o desejo da esposa ou da filha do senhor de escravos.
Linchamento e castração por causa de relações sexuais ou suspeita de relações sexuais com as mulheres brancas? Isso soa vagamente familiar.

Sources/Fontes

Martins, José de Souza. “As condições do estudo sociológico dos linchamentos no Brasil”. Estudos Avançados. São Paulo: IEA-USP, 1995. v.9. n.25.

Souza, Lídio de e Menandro, Paulo Rogério Meira. “Vidas apagadas: vítimas de linchamentos ocorridos no Brasil (1990-2000)”. Revista psicologia política, São Paulo, v. 2, n. 4, p. 249-266, 2002.

The Charles Chestnutt Digital Archive. Berea College. “Lynching Statistics”. http://www.berea.edu/faculty/browners/chesnutt/classroom/lynchingstat.html

Warren Dean. Rio Claro: um sistema brasileiro de grande lavoura (1820-1920). Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1977) cited in Uma História Não Contada: Negro, racismo e branqueamento em São Paulo no pos-abolição by Petronio Domingues (Editora Senac Sao Paulo, 2004)

Wormser, Richard. “Ida B. Wells forced out of Memphis” (1892). The Rise and Fall of Jim Crow: Jim Crow Stories. http://www.pbs.org/wnet/jimcrow/stories_events_wells.html

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